sábado, 27 de maio de 2017

AUTORAL: Moço da Barba Desajeitada | por Carol Sant

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Sabrina sabia que dali em diante seria difícil e diferente, não conhecia a cidade e não sabia como era viver em uma cidade grande como São Paulo. Mas sem escolhas ela teve que vir, seus pais não estavam mais neste mundo e ela só tinha uma única tia, chama Cármen e a garota tinha certeza de que encontrar a tal tia que nunca teve contato seria quase como uma missão impossível, mas era a única parente viva que Sabrina tinha e ela queria correr o risco, mas, claro que torcia pelo melhor da situação quando encontrasse a tia!
Graças a Deus, ela tinha como se manter em uma cidade com um custo tão alto, pelo menos, para ela que era do interior. Sabrina sabia que o dinheiro que tinha não iria durar para sempre, precisava de um emprego e não estava na posição de escolher demais e estava decidido, o primeiro que aparecesse ela aceitaria sem pestanejar. 
Em seu segundo dia na cidade, Sabrina levantou as 07:00 horas da manhã e foi em busca de um emprego. Ao parar em uma padaria para um café, a garota se lembrou de uma frase que sua mãe costumava dizer: "Deus ajuda quem cedo madruga!", e ela jamais se esqueceu da frase. 
Andando pelo centro da grande cidade a garota viu uma enorme placa que dizia "CONTRATA-SE GARÇONETE, COM URGÊNCIA". Garçonete? Ela nunca pensou que um dia iria trabalhar como garçonete, logo ela que sempre teve tudo que queria? Bem, quem sabe. Claro que não chamariam ela para aquela vaga, então não custava nada deixar um simples currículo, né?! 
 Bom dia, estão contratando?  Perguntou tímida. 
 Sim, você se interessa?  Perguntou Edson, o dono do lugar. 
 É, ahan, sim. Eu poderia deixar meu currículo? Sou nova na cidade!  Disse Sabrina sem jeito por não saber parecer sem interesse na vaga, pois ela precisava muito do dinheiro. 
Edson pegou o currículo da mão da garota é automaticamente, disse: 
 Você começa amanhã, seja bem vinda!  Falou com um sorriso nos lábios.
Sem reação nenhuma, Sabrina sorriu sem jeito e perguntou:
 Que horas eu entro?  sorrindo timidamente. 
 Exatamente as 08:00 horas e sai as 16:00 da tarde, até amanhã, hm, Sabrina...  Disse e deu um sorriso encantador para a garota tímida que via em sua frente. 
 Até amanhã, ahn... Edson!  Disse, olhando o crachá no avental do moço sorridente. 
Bem, as vezes a vida não é muito gentil conosco e não foi nada gentil com Sabrina, seu irmão morreu de câncer aos 11 anos e agora a vida tinha decidido levar seus pais em um acidente de carro, o carro que ela tinha dado a eles quando completaram 25 anos de casados. Ela perdeu sua família e ainda não tinha se recuperado, suspeitava que estava entrando em um estado grande de melancólica. Não comia simplesmente pelo fato de não ter fome, ela tinha coisas mais importantes para se focar, como por exemplo, sua própria dor e seu mais recente trabalho. 
Estava se saindo bem no trabalho, não sabia se ela se sairia bem como garçonete, claro que na maioria das vezes a garota pensava em desistir, mas, ela não poderia se dar a esse luxo. Tinha contas a pagar! 
Sentia que estava enlouquecendo, ainda não tinha encontrado sua tia Cármen e isso só colaborava cada vez mais para se afundar em sua melancolia, o que ela poderia fazer? 
Depois de um mês da morte de seus pais, ela sentia que jamais se recuperaria da perda, sem contar a falta que sentia de John, seu irmão querido que se fora tão jovem. 
Mais um dia que se seguia, mais um dia de trabalho, de ordem e estresse, mais um dia para seguir em frente, o que a garota não sabia era que a vida seria um pouco gentil com ela hoje. 
 Com licença, vocês vendem bolo de banana? Estou louco de vontade por um, já procurei em vários bares, restaurantes e confeitarias, mas como pode ver, nada até agora!  Disse Cadu, quase sem fôlego. 
 Ei calma, respira para falar!  Disse a garota, tentando não rir do jeito tão desengonçado do moço que estava a sua frente - A gente vende sim bolo ou torta de banana, quem inteiro ou fatia? - Disse como de costume, era o que ela fazia todos os dias. 
 Ah, não sei, bom, acho que vou levar um inteiro, mas quero uma fatia para comer agora. Eu adoro bolo ou torta de banana!  Disse ele, sorrindo para a garota tímida de bochechas rosadas, que vestia um avental sujo. 
 Ok, eu levo na mesa. Tudo bem? 
 Tudo bem, garota das bochechas rosadas.  Disse Cadu, ele e sua mania de apelidar as pessoas, deveria parar com isso, pois a garota ficou com as bochechas mais rosadas do que o normal por conta do apelido que acabava de receber. 
Ok, aquilo tinha sido vem esquisito para Sabrina, receber um apelido fofo de um estranho? Isso não acontecia com ela. Pensou brevemente enquanto cortava a fatia do bolo, que gostaria de conhecer melhor aquele moço de barba desajeitada.

terça-feira, 23 de maio de 2017

RESENHA: Nossas Horas Felizes (Gong Ji-Young) | por Bea Oliveira.

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Em ambos os casos um ser humano está decidindo que outro ser humano merece morrer. É um ser humano sendo morto por outro ser humano. Mas, de acordo com você, um caso é assassinato, e o outro é execução. Uma pessoa é rotulada como assassina e morre por seu crime, enquanto a outra ganha uma promoção. Isso é justiça?   
A primeira coisa que consigo dizer sobre o livro é que ele com toda certeza é impactante! É narrado em primeira pessoa por Yujeong, uma jovem de trinta anos encantadora, bonita, inteligente e que tentou se matar três vezes. Para sair do hospital e não precisar de acompanhamento psiquiátrico, ela aceita acompanhar sua tia freira por um mês em visitas voluntárias a uma prisão para encontrar com presos no corredor da morte. E é por causa desse acordo que as vidas de Yujeong e Yunsu vão se encontrar. 
Yunsu é apenas mais um preso agressivo, condenado a morte por cometer um crime hediondo. E logo a primeira vista, percebemos que ele parece não estar arrependido de seus crimes,  e que ainda consegue sustentar um sorriso debochado e um olhar ameaçador. E a única certeza sobre ele é sua morte!
"Mas, depois de conhece-lo, tive certeza de duas coisas: eu nunca mais poderia me matar de novo, e que isso era tanto o último presente quanto a sentença final que ele havia me dado."
Através de Yujeong podemos sentir a raiva e revolta - que pessoas como nós que olham a situação de fora tem -, contra um condenado à pena de morte, depois fui levada a desvendar através de diálogos dela com sua tia e depois com o próprio Yunsu que nem tudo é preto no branco. 

 Foi uma leitura extremamente agoniante  e que me fez refletir capítulo por capítulo.  A autora não tentou  em momento nenhum justificar as atitudes de Yunsu por sua condição financeira ou classe social, mas usa ele como alerta para o fato de milhares de crianças e adolescentes não terem oportunidades ou chances de ter uma vida digna, sendo muito mais fácil sucumbir as más influências, e muitas vezes são simplesmente descartadas, como um brinquedo com defeito.
O tempo todo durante a leitura eu senti uma inquietação, um nó na garganta e uma enorme vontade de chorar, até porque não é uma leitura fácil, são 279 páginas de sofrimento, tristeza e revolta. Yujeong é uma protagonista que cresce ao longo da história. Já Yunsu, apesar de ser um criminoso, dava impressão se ser uma criança que se perdeu no mundo, e confesso que me senti na corda bamba com ele, hora o amando, hora odiando, mas no fim não pude deixar de perdoa-lo, e sinto que uma parte de mim morreu com ele a cada lagrima que derramei.
Nossas Horas Felizes  foi um livro marcante, que eu levarei para sempre em mim, ele mudou minhas crenças e opiniões sobre o mundo, sobre o que é justiça, recomendo muito a leitura. 
- Bea Oliveira.